quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Carta ao meu amor. (II)





O começo de noite chegou com essa vontade de dormir com você de conchinha e assistir filmes de comédia, igual fazíamos. Aquela casa estava tão fazia sem você. Decidi fazer um café e olhar as estrelas no céu. Liguei seu radinho de pilha, que esquecera comigo. Estava tocando Los Hermanos, coloquei baixinho e lembrei como gostava dessa música. E eles repitiam “então-fica-bem-se-eu-sofro-um-pouco-mais” e eu sorri. Sorri com saudades, sorri tristonha. Olhei as estrelas e percebi a falta que você me faz. Saudades dos seus cafés com adoçantes, dos seus cafunés e daquelas brincadeiras sem graça. Saudades do teu cheiro, saudades das brigas, saudades de ti. Decidi acender um marlboro. Tinha prometi a mim mesma que não iria mais fumar. Mas o que é sentir nostalgia sem café e cigarro? “Eu só aceito a condição de ter você só pra mim.” A música não acabava nunca. Senti tanto a sua falta, que uma lágrima escorreu. Desceu quente pelo meu rosto. Senti minhas bochechas ardendo. “Quem é mais sentimental que eu?”. Imaginei você cantarolando bem alto, igual fazia. Outra lágrima escorreu junto com um sorriso. Fui beber outro gole de café e percebi que havia acabado. Fechei a janela e desliguei o radinho. A música já trouxe bastante saudades pra uma noite só. Já era hora de dormir… Sem você, mais uma vez.

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